Lacan do Zero: Aula 8 – O início da álgebra lacaniana

Deformação Psicanalítica , 03/12/2018

Finalizando o raciocínio da “falta da falta” à sobreposição das faltas, chegamos ao ponto em que o simbólico finalmente passou a operar em sua maneira de amarração das partes e fissuras do sujeito.

O simbólico é o que traz flexibilidade a uma estrutura, como diz aquele pensamento de que o bambu sempre permanece em pé pois se curva ao vento, o simbólico permite o sujeito se movimentar, aguentar situações adversas mas ainda manter sua estrutura. De maneira ainda mais precisa e lúdica, nos diz Lenine, “eu envergo, mas não quebro”.

A presença constante e paranoica do Outro materno foi “aliviada” pela entrada em algo no seu “olhar” de um desejo por outra coisa, e como já dito, dolorido por um lado, libertador por outro. A mãe passa a faltar como presença constante e em seu lugar fica um significante.

O significante facilita muito a nossa vida, se não fosse por ele teríamos que carregar nossos objetos concreto e empíricos pra cima e pra baixo, pensando no Seminário 1 de Lacan, que tem um elefante na capa, é graças ao significante elefante que é possível falar dele sem ter que carregar um pra cima e pra baixo quando quisesse fazer referência a um animal desses.

A introdução do simbólico foi apresentada de maneira brilhante por Freud no jogo “fort  da”; em que uma criança (seu neto), vivendo o afastamento do Outro materno passa a arremessar para longe um carretel e depois puxar para perto, nomeando “fort” e “da” respectivamente, algo como longe e perto. É também, de maneira belíssima, no filme La Luna,  em que na cena inicial quando a criança assiste a mãe desejando o pai e põe-se a falar “mamãe” como forma de reaver o que foi perdido.

Um pedaço passa a faltar em uma estrutura rígida e isso permite que as peças se movimentem dentro dela, só assim elas podem deslizar. O enigma no Outro causará a dúvida deslizante. O que falta no Outro? Representado pelo materna S(A/)? Ou seja, o S2, ou ainda, o  nome do pai, termo aliás que me impede de saber algo que veio antes, o S1, para sempre perdido, pois está recalcado, e do recalque, só temos acesso a seus derivados, nunca dele em si.

O NP aponta um lugar anterior a ele que é o desejo da mãe, recalcado, Inconsciente, que dividirá o sujeito  consciente e inconsciente, formando assim um sujeito dividido, representado por $, o sujeito agora faltante precisará buscar no mundo o que falta nele, na verdade o que passou a faltar pois o Outro não o olha mais o tempo todo, “O que falta em mim que causa o desejo do outro?” pensará Inconscientemente o sujeito, e visando sobrepor os desejos, terá por fim o seguinte: o que causa o meu desejo, inaugurando assim o lugar do objeto a.

De acordo com Fink, teremos:

“(…) todos os elementos cruciais de sua álgebra- S1 S2 $ a – surgem aqui. Ao se instalar o S2, o S1 é determinado retroativamente, o $ é precipitado e o desejo do Outro assume um novo papel: aquele do objeto a.

Mas esse é só o começo do uso desses elementos.

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