Aula #11: A interpretação dos sonhos – Parte 3

Freud , 27/04/2017

O capitulo 7 da Interpretação dos sonhos talvez seja o mais importante desta monumental obra pois é nele que, pela primeira vez, a personalidade passará a ser compreendida como um aparelho psíquico e não mais um modelo neurológico. Sem se basear em nenhuma biologia, Freud propõe um modelo puramente psicológico e abstrato.

Vamos ao modelo:

O aparelho psíquico proposto por Freud era composto de uma extremidade sensitiva (P) e uma outra extremidade que abre acesso a motricidade (M). Os estímulos externos e internos (E) percorrem de uma extremidade a outra (de P para M), e estas duas extremidades configurariam o sistema consciente.
Tudo o que nos atinge enquanto percepção (P) interna ou externa, deixa no nosso aparelho um traço mnêmico e ao mesmo tempo “liberando” o pólo perceptivo P para continuar recepcionando os estímulos. Esse vai ser considerado o terceiro sistema (denominado sistemas S).

O sistema S é formado por vários subsistemas com as funções de fixar e organizar as excitações que os atravessam. O primeiro sistema retira e organiza as excitações através de relações de simultaneidade e o outro sistema por relações de semelhança. Esses traços, gravados e organizados são de natureza inconsciente.

“Desta forma, existe inscrita em nossa personalidade uma série de traços mnêmicos, radicados em sensações perceptivas (táteis, visuais, etc) experimentadas em nossa infância que, tornado-se criticáveis em nossa vida adulta, são impedidos de se realizarem de maneira consciente e voluntaria. Estes traços, embora inconscientes, permanecem ativos e marcam nossa maneira de ser, determinando nosso caráter”  (Reis, Magalhães e Gonçalves p. 10)

c) Os traços mnêmicos, apesar de poderem tornar-se consciente, permanecem inconscientes pela ação da força de uma instância crítica da personalidade que Freud a descreve como pré-consciente, localizada na extremidade motora da personalidade, norteando a vida desperta e que dirige as ações voluntárias.

“Desta forma, existe inscrita em nossa personalidade uma série de traços mnêmicos, radicados em sensações perceptivas (táteis, visuais, etc) experimentadas em nossa infância que, tornado-se criticáveis em nossa vida adulta, são impedidos de se realizarem de maneira consciente e voluntaria. Estes traços, embora inconscientes, permanecem ativos e marcam nossa maneira de ser, determinando nosso caráter”

A Primeira Tópica: Inconsciente, Pré-Consciente e Consciente

Estas três instancias são separadas e bem demarcadas por barreiras. Entre o inconsciente e o pré-consciente existe a barreira causada pelo recalcamento, que exclui da consciência toda representação psíquica que a agencia crítica julgue inaceitável. Este recalcamento consiste num contra-investimento frente aos conteúdos inconscientes e por isso é uma força constante. No estado do sono, a censura é rebaixada de tal maneira que o contra-investimento perde suas forças e deixa com que material inconsciente atravesse o limite de reclusão. E, como visto nas lições anteriores, o conteúdo precisará se disfarçar para não despertar a censura, utilizando principalmente os mecanismos de condensação e deslocamento.
Este mesmo tipo de “falha da censura” que trará a tona o material inconsciente, aparecerá nos atos falhos, chistes, lapsos e claro, nos sintomas. Mas não se esqueçam que o material que aparece sempre está disfarçado, e, somente o sujeito que cometeu a falha, e que se responsabiliza por ela (revelando assim a faceta ética do inconsciente), que poderá interpretar o que está oculto. Assim o psicanalista não explica e sim implica o sujeito no seu ato.

 

Referências:

Freud, S – A interpretação dos sonhos

Reis, Magalhães e Gonçalves – Teorias da personalidade em Freud, Reich e Jung