Freud e as Perversões – Os três ensaios sobre a teoria da sexualidade I

Freud , 17/08/2017

Ensaio 1

Até o lançamento desta obra, as perversões eram consideradas como o resultado de degenerescência ou uma tara constitutiva. Essa visão era endossada principalmente pelos trabalhos desenvolvidos por Havelok Ellis e Krafft-Ebbing, sendo este último o autor de um tratado sobre perversões chamado: Psicopatias Sexuais. Desta forma seria inevitável não levar em consideração o trabalho desses dois importantes autores, Freud o fez porém se posicionando de maneira diferente a eles.

Freud apresenta neste trabalho dois conceitos fundamentais para o distanciamento das leituras feitas até entanto sobre perversão. Com os conceitos de “pulsão” e “objeto” ele se afasta de uma concepção naturalista da sexualidade humana pois, enquanto no instinto (instinkt) o objeto é natural e pré-determinado, na pulsão (trieb) o objeto não é natural e dependerá de elementos empíricos e fantasiosos da experiência do sujeito.

A “escolha” da modalidade sexual seria produto da articulação da pulsão, de sua meta e do objeto. Assim tem-se uma distinção dentro das perversões:

“os desvios sexuais em relação ao objeto sexual, isto é, em relação a pessoa que emana uma atração sexual, e os desvios em relação a meta sexual, isto, é, em relação ao ato que leva a pulsão”. (p. 72-73)

Em relação ao objeto sexual:
Freud postula a bissexualidade no nível psicológico (baseada no modelo de bissexualidade biológica proposta por seu amigo Fliess), tendências masculinas e femininas coexistem desde a infância em todo indivíduo, a escolha “final” dependerá da predominância de uma em relação a outra.

Em relação a meta sexual:
De acordo com Freud, a pulsão sexual se desintegra em em diversas pulsões parciais, que tem como fonte de excitação sexual uma zona erógena, “de modo que as perversões se baseiam na dominação de uma pulsão parcial de origem infantil.” (p. 72)

Ao final deste primeiro ensaio Freud chegará a duas conclusões:
1- A neurose é por assim dizer o negativo da perversão. Ou seja, aquilo que o perverso atua é fantasiado, a partir dos fragmentos da memória da infância no neurótico.
2- A predisposição as perversões não é um traço excepcional, mas pertence a constituição dita normal.

Freud, S. – Três ensaios sobre a da sexualidade – Imago

Quinodoz, J.M. – Ler Freud, – Artimed

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